Concluída
Ford F-100 1962
Ficha técnica
- Marca
- Ford
- Modelo
- F-100
- Ano
- 1962
- Cor
- Verde
- Situação
- Concluída
Sobre o projeto
A história deste F-100
No início da década de 1960, a disputa pela preferência dos motoristas e frotistas nas estradas e campos dividia o Brasil e os Estados Unidos. Enquanto a Chevrolet defendia seu território com modelos robustos, a Ford contra-atacava com a lendária linhagem das picapes F-Series. No ano de 1962, a Ford F-100 consolidou-se como um divisor de águas: trazia a transição definitiva entre o desenho clássico dos anos 50 e as linhas utilitárias modernas dos anos 60, marcada no exterior pela inovadora e controversa carroceria monobloco e, no Brasil, pelo início da fabricação nacional da cabine com linhas retas e motor V8.
Nos Estados Unidos, a quarta geração da F-100 introduzira o conceito Styleside Unibody (cabine e caçamba estampadas em uma única peça de aço contínua, sem fresta divisória), buscando um perfil aerodinâmico e urbano. Contudo, devido à torção severa do chassi quando carregada em pisos irregulares, a Ford manteve e reintroduziu a caçamba separada tradicional em 1962 com opções tanto de caçamba lisa integrada quanto a clássica Flareside com estribos externos.
No Brasil, a F-100 1962 fabricada na histórica fábrica do Ipiranga, em São Paulo, mantinha o estilo com para-lamas abaulados e faróis duplos sobrepostos horizontalmente emoldurados em uma grade de alumínio anodizado estampada. O capô largo e bojudo trazia a clássica esfera com as engrenagens da Ford ou a inscrição alada da marca, ladeado pelo para-brisa envolvente que ampliava a visibilidade periférica. A caçamba de aço vinha com réguas de madeira tratada intercaladas por frisos metálicos, pronta para encarar poeira, cascalho e lama.
Sob o capô, a F-100 1962 ostentava seu maior símbolo de autoridade: o consagrado motor V8 Y-Block de 292 polegadas cúbicas (4,8 litros). Com cabeçotes e bloco em ferro fundido, o Y-Block nacional recebia o apelido de "Canadense" nas primeiras safras e desenvolvia 167 cavalos de potência brutos e excelentes 38 kgfm de torque a apenas 2.000 rpm, alimentado por um carburador Holley de corpo duplo. O som característico dos cilindros em ordem de queima 1-5-4-8-6-3-7-2 ecoava com um borbulhar grave inconfundível pelas saídas de escapamento. Para o mercado norte-americano, havia também o confiável motor de seis cilindros em linha Mileage Maker 223 (3,6 litros) de 135 cv.
O conjunto mecânico apoiava-se sobre um chassi de longarinas reforçadas em aço carbono com travessas transversais rebitadas. A tração era traseira, transmitida por um câmbio manual de três marchas com comando na coluna de direção (com a primeira não sincronizada) ou a versão reforçada de quatro marchas no assoalho. A suspensão utilizava eixos rígidos forjados na dianteira e na traseira, ambos sustentados por feixes de molas semielípticas de lâminas largas e amortecedores hidráulicos telescópicos de dupla ação — uma arquitetura resistente o bastante para aguentar sobrecargas sem ceder. Os freios eram a tambor nas quatro rodas, com acionamento hidráulico.
O interior da cabine da F-100 combinava rusticidade com conforto ergonômico bem resolvido para os padrões da época. O painel de chapa de aço pintada na cor da carroceria trazia um mostrador em semicírculo com velocímetro graduado até 140 km/h, ladeado pelos indicadores circulares de temperatura, pressão do óleo, nível de combustível e carga da bateria. O banco inteiriço era revestido em vinil reforçado e acomodava com folga até três pessoas, complementado por um volante de grandes dimensões com raio duplo e aro fino, essencial para aliviar o peso da direção puramente mecânica com caixa de setor e sem-fim.
Com sua força bruta inesgotável, a lendária sonoridade do V8 Y-Block e uma presença imponente que impunha respeito onde passasse, a Ford F-100 1962 fincou raízes profundas na história do transporte e do agronegócio, tornando-se uma relíquia atemporal para colecionadores e entusiastas do antigomobilismo.
Nos Estados Unidos, a quarta geração da F-100 introduzira o conceito Styleside Unibody (cabine e caçamba estampadas em uma única peça de aço contínua, sem fresta divisória), buscando um perfil aerodinâmico e urbano. Contudo, devido à torção severa do chassi quando carregada em pisos irregulares, a Ford manteve e reintroduziu a caçamba separada tradicional em 1962 com opções tanto de caçamba lisa integrada quanto a clássica Flareside com estribos externos.
No Brasil, a F-100 1962 fabricada na histórica fábrica do Ipiranga, em São Paulo, mantinha o estilo com para-lamas abaulados e faróis duplos sobrepostos horizontalmente emoldurados em uma grade de alumínio anodizado estampada. O capô largo e bojudo trazia a clássica esfera com as engrenagens da Ford ou a inscrição alada da marca, ladeado pelo para-brisa envolvente que ampliava a visibilidade periférica. A caçamba de aço vinha com réguas de madeira tratada intercaladas por frisos metálicos, pronta para encarar poeira, cascalho e lama.
Sob o capô, a F-100 1962 ostentava seu maior símbolo de autoridade: o consagrado motor V8 Y-Block de 292 polegadas cúbicas (4,8 litros). Com cabeçotes e bloco em ferro fundido, o Y-Block nacional recebia o apelido de "Canadense" nas primeiras safras e desenvolvia 167 cavalos de potência brutos e excelentes 38 kgfm de torque a apenas 2.000 rpm, alimentado por um carburador Holley de corpo duplo. O som característico dos cilindros em ordem de queima 1-5-4-8-6-3-7-2 ecoava com um borbulhar grave inconfundível pelas saídas de escapamento. Para o mercado norte-americano, havia também o confiável motor de seis cilindros em linha Mileage Maker 223 (3,6 litros) de 135 cv.
O conjunto mecânico apoiava-se sobre um chassi de longarinas reforçadas em aço carbono com travessas transversais rebitadas. A tração era traseira, transmitida por um câmbio manual de três marchas com comando na coluna de direção (com a primeira não sincronizada) ou a versão reforçada de quatro marchas no assoalho. A suspensão utilizava eixos rígidos forjados na dianteira e na traseira, ambos sustentados por feixes de molas semielípticas de lâminas largas e amortecedores hidráulicos telescópicos de dupla ação — uma arquitetura resistente o bastante para aguentar sobrecargas sem ceder. Os freios eram a tambor nas quatro rodas, com acionamento hidráulico.
O interior da cabine da F-100 combinava rusticidade com conforto ergonômico bem resolvido para os padrões da época. O painel de chapa de aço pintada na cor da carroceria trazia um mostrador em semicírculo com velocímetro graduado até 140 km/h, ladeado pelos indicadores circulares de temperatura, pressão do óleo, nível de combustível e carga da bateria. O banco inteiriço era revestido em vinil reforçado e acomodava com folga até três pessoas, complementado por um volante de grandes dimensões com raio duplo e aro fino, essencial para aliviar o peso da direção puramente mecânica com caixa de setor e sem-fim.
Com sua força bruta inesgotável, a lendária sonoridade do V8 Y-Block e uma presença imponente que impunha respeito onde passasse, a Ford F-100 1962 fincou raízes profundas na história do transporte e do agronegócio, tornando-se uma relíquia atemporal para colecionadores e entusiastas do antigomobilismo.
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