Concluída
Ford Bronco 1970
Ficha técnica
- Marca
- Ford
- Modelo
- Bronco
- Ano
- 1970
- Cor
- Azul
- Situação
- Concluída
Sobre o projeto
A história deste Bronco
Em meados da década de 1960, a Ford percebeu um movimento curioso no mercado automotivo: fazendeiros, caçadores, campistas e entusiastas do ar livre compravam veículos utilitários rústicos, mas reclamavam do desconforto espartano e da dirigibilidade sofrível do Jeep CJ-5 e do International Scout 80. Sob a visão estratégica de Donald Frey (um dos pais do Mustang) e o aval de Lee Iacocca, a Ford decidiu aplicar a mesma fórmula mágica de sucesso: construir um veículo acessível, altamente customizável e divertido. Nascido como modelo 1966, o Ford Bronco de primeira geração (1966–1977) inaugurou o termo Sports Utility Vehicle (SUV) na terminologia interna da Ford e redefiniu o off-road americano.
O design assinado por McKinley Thompson Jr. — o primeiro designer automotivo afro-americano contratado pela Ford — foi uma aula de pragmatismo funcional e genialidade estética. A carroceria era deliberadamente reta, com chapas de aço planas para baratear os custos de estampagem e facilitar reparos no campo. Todos os vidros eram totalmente planos, os para-choques eram vigas de aço simétricas (a peça dianteira era idêntica à traseira) e os lados esquerdo e direito compartilhavam componentes como maçanetas e soleiras.
A primeira geração foi lançada com três configurações de carroceria construídas sobre o mesmo chassi de apenas 2,34 metros (92 polegadas) de entre-eixos:
Wagon: O modelo fechado mais popular, com teto rígido de aço removível e espaço para passageiros atrás.
Half-Cab (Pick-up): Um utilitário de dois lugares com caçamba curta aberta atrás da cabine.
Roadster (U13): O mais purista e despojado, sem portas convencionais (trazia cavas de fibra de vidro recortadas), sem teto rígido e com para-brisa rebatível para frente sobre o capô.
A dianteira exibia a grade horizontal com dois faróis redondos integrados e o nome F O R D estampado em alto-relevo ao centro, ladeado por setas retangulares. Os para-lamas traseiros retos e fechados de fábrica eram uma marca registrada (embora logo tenham passado a ser recortados por proprietários que instalavam pneus lameiros maiores e alargadores plásticos).
Sob o capô, a mecânica foi pensada para durabilidade e torque em baixa rotação. No lançamento em 1966, o motor padrão era o confiável seis cilindros em linha 170 Thriftpower (2,8 litros) de 105 cv, com carburador de corpo simples dotado de giclês especiais compensadores para não afogar em inclinações severas.
Ainda em 1966, a pedido unânime do público, a Ford introduziu o motor que mudaria a história do modelo: o V8 Small Block 289 (4,7 litros) de 200 cv. Anos depois, em 1969, o 289 foi substituído pelo clássico V8 302 (4,9 litros) de 205 cv e mais de 40 kgfm de torque, transformando o Bronco em uma verdadeira cabra da montanha capaz de arrancar tocos ou cruzar dunas com facilidade espantosa.
O grande trunfo mecânico do Bronco em relação aos rivais da época residia na suspensão dianteira. Em vez de feixes de molas rígidos e duros na frente, a Ford equipou o Bronco com a suspensão Mono-Beam: molas helicoidais com braços tensores longitudinais forjados em forma de raio (radius arms) e barra estabilizadora Panhard. Essa arquitetura entregava excelente curso de suspensão na terra e eliminava o comportamento arisco no asfalto, proporcionando um raio de giro minúsculo de apenas 10,6 metros.
A tração 4x4 vinha de série com a lendária caixa de transferência Dana 20 de dupla velocidade (com reduzida), operada por uma alavanca no assoalho apelidada de "T-handle". O eixo dianteiro era o robusto Dana 30 (substituído pelo indestrutível Dana 44 em 1971), enquanto o eixo traseiro era o indefectível Ford de 9 polegadas com diferencial blocante opcional. A transmissão inicial era exclusivamente manual de três marchas na coluna de direção ("três na árvore"), com o câmbio automático Cruise-O-Matic C4 e a direção hidráulica chegando apenas nos anos 70 para ampliar o apelo familiar.
O interior era o retrato da simplicidade funcional: assoalho com tapetes de borracha laváveis com mangueira, bujões de drenagem no piso, bancos concha dianteiros revestidos em vinil de alta durabilidade e um painel de metal na cor da carroceria com um único mostrador circular grande agrupando velocímetro, odômetro, temperatura, combustível, pressão de óleo e amperímetro.
Com o passar dos anos, o Bronco provou seu valor não apenas nas fazendas, mas nas pistas de rali mais brutais do planeta, vencendo a lendária corrida mexicana Baja 1000 em 1969 e 1971 pelas mãos de Parnelli Jones e Bill Stroppe. Ao longo de seus 12 anos de produção, o Bronco de primeira geração fincou a bandeira da liberdade off-road, tornando-se uma lenda cultuada mundialmente pelo equilíbrio impecável entre engenharia utilitária, versatilidade mecânica e charme retrô inconfundível.
O design assinado por McKinley Thompson Jr. — o primeiro designer automotivo afro-americano contratado pela Ford — foi uma aula de pragmatismo funcional e genialidade estética. A carroceria era deliberadamente reta, com chapas de aço planas para baratear os custos de estampagem e facilitar reparos no campo. Todos os vidros eram totalmente planos, os para-choques eram vigas de aço simétricas (a peça dianteira era idêntica à traseira) e os lados esquerdo e direito compartilhavam componentes como maçanetas e soleiras.
A primeira geração foi lançada com três configurações de carroceria construídas sobre o mesmo chassi de apenas 2,34 metros (92 polegadas) de entre-eixos:
Wagon: O modelo fechado mais popular, com teto rígido de aço removível e espaço para passageiros atrás.
Half-Cab (Pick-up): Um utilitário de dois lugares com caçamba curta aberta atrás da cabine.
Roadster (U13): O mais purista e despojado, sem portas convencionais (trazia cavas de fibra de vidro recortadas), sem teto rígido e com para-brisa rebatível para frente sobre o capô.
A dianteira exibia a grade horizontal com dois faróis redondos integrados e o nome F O R D estampado em alto-relevo ao centro, ladeado por setas retangulares. Os para-lamas traseiros retos e fechados de fábrica eram uma marca registrada (embora logo tenham passado a ser recortados por proprietários que instalavam pneus lameiros maiores e alargadores plásticos).
Sob o capô, a mecânica foi pensada para durabilidade e torque em baixa rotação. No lançamento em 1966, o motor padrão era o confiável seis cilindros em linha 170 Thriftpower (2,8 litros) de 105 cv, com carburador de corpo simples dotado de giclês especiais compensadores para não afogar em inclinações severas.
Ainda em 1966, a pedido unânime do público, a Ford introduziu o motor que mudaria a história do modelo: o V8 Small Block 289 (4,7 litros) de 200 cv. Anos depois, em 1969, o 289 foi substituído pelo clássico V8 302 (4,9 litros) de 205 cv e mais de 40 kgfm de torque, transformando o Bronco em uma verdadeira cabra da montanha capaz de arrancar tocos ou cruzar dunas com facilidade espantosa.
O grande trunfo mecânico do Bronco em relação aos rivais da época residia na suspensão dianteira. Em vez de feixes de molas rígidos e duros na frente, a Ford equipou o Bronco com a suspensão Mono-Beam: molas helicoidais com braços tensores longitudinais forjados em forma de raio (radius arms) e barra estabilizadora Panhard. Essa arquitetura entregava excelente curso de suspensão na terra e eliminava o comportamento arisco no asfalto, proporcionando um raio de giro minúsculo de apenas 10,6 metros.
A tração 4x4 vinha de série com a lendária caixa de transferência Dana 20 de dupla velocidade (com reduzida), operada por uma alavanca no assoalho apelidada de "T-handle". O eixo dianteiro era o robusto Dana 30 (substituído pelo indestrutível Dana 44 em 1971), enquanto o eixo traseiro era o indefectível Ford de 9 polegadas com diferencial blocante opcional. A transmissão inicial era exclusivamente manual de três marchas na coluna de direção ("três na árvore"), com o câmbio automático Cruise-O-Matic C4 e a direção hidráulica chegando apenas nos anos 70 para ampliar o apelo familiar.
O interior era o retrato da simplicidade funcional: assoalho com tapetes de borracha laváveis com mangueira, bujões de drenagem no piso, bancos concha dianteiros revestidos em vinil de alta durabilidade e um painel de metal na cor da carroceria com um único mostrador circular grande agrupando velocímetro, odômetro, temperatura, combustível, pressão de óleo e amperímetro.
Com o passar dos anos, o Bronco provou seu valor não apenas nas fazendas, mas nas pistas de rali mais brutais do planeta, vencendo a lendária corrida mexicana Baja 1000 em 1969 e 1971 pelas mãos de Parnelli Jones e Bill Stroppe. Ao longo de seus 12 anos de produção, o Bronco de primeira geração fincou a bandeira da liberdade off-road, tornando-se uma lenda cultuada mundialmente pelo equilíbrio impecável entre engenharia utilitária, versatilidade mecânica e charme retrô inconfundível.
Veja também
Ver todas